O Centro-Oeste brasileiro vive um momento histórico. A região, que nas últimas décadas se firmou como fronteira agrícola, agora se consolida como líder na produção de etanol do país. Na última década, a produção de etanol de milho cresceu em ritmo acelerado, transformando a economia regional e garantindo o protagonismo da região na produção de etanol.
Juntos, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul produzirão mais de 17 bilhões de litros de etanol na safra 2025/26. Ou seja: a cada dois litros de etanol produzidos no Brasil, 1 litro vem do Centro-Oeste. Esse avanço garante o suprimento para a mistura de 30% de etanol anidro na gasolina (E30), que entrou em vigor em agosto desse ano, e prepara o Brasil para o próximo desafio: a mistura de 35%.
Além disso, abre caminho para a entrada do Brasil em mercados estratégicos como o SAF (combustível sustentável de aviação).
A demanda global por biocombustíveis para a aviação deve atingir dezenas de bilhões de litros nas próximas décadas, impulsionada por compromissos internacionais de redução de emissões no setor aéreo e pela crescente pressão por voos neutros em carbono. Essa oportunidade posiciona o País como fornecedor estratégico de biocombustíveis de alto valor agregado, ampliando sua relevância no cenário energético global.
O etanol também se mostra cada vez mais relevante para a navegação, oferecendo uma alternativa sustentável para o transporte marítimo e fluvial. Com a regulamentação internacional exigindo cortes significativos nas emissões de gases de efeito estufa, o uso do etanol representa uma solução tanto para a navegação interna quanto para a cabotagem e o longo curso.
A produção de etanol gera impactos na região que vão muito além do setor energético. A região, que concentra o maior rebanho bovino do país, vem registrando forte expansão no confinamento e semiconfinamento de gado, impulsionados pela disponibilidade de DDG a custos competitivos. Esse modelo não apenas aumenta a eficiência na engorda e reduz o tempo de abate, como também eleva a produtividade da produção de carne bovina. O gado confinado também gera biomassa que pode alimentar pequenas usinas de biogás e biometano, produzindo energia limpa capaz de abastecer frotas locais e reduzir emissões. É o ciclo da economia circular que se fecha.
Além disso, é na região onde se desenvolvem os primeiros projetos de reinjeção de carbono no solo, que permitem que a produção de etanol neutralize totalmente suas emissões, transformando o combustível em carbono negativo. Esse processo não apenas gera energia limpa, mas posiciona o Brasil como referência global em biocombustíveis de alto valor agregado e impacto climático positivo.
Mais do que um combustível, o etanol do Centro-Oeste é um motor de desenvolvimento sustentável, convertendo biomassa em energia limpa, proteína animal e crescimento regional.
A região deixou de ser apenas a fronteira agrícola do Brasil para se tornar a nova fronteira energética e agroindustrial, projetando o país como líder global em biocombustíveis de alto valor agregado.
No Centro-Oeste, o etanol lidera a transição energética e impulsiona o crescimento sustentável do Brasil.
Giuseppe Lobo, Diretor Executivo do Bioind MT.
O novo diretor executivo do Bioind-MT, Wellington Andrade , concedeu entrevista ao Broadcast | Agência Estado trazendo uma análise importante sobre o cenário do etanol no Brasil e no mercado internacional.
Entre os destaques, a projeção de crescimento de 16,08% na produção de etanol em Mato Grosso na safra 2026/27, impulsionada principalmente pela expansão do etanol de milho e pela entrada de novas plantas industriais no estado.
Hoje, Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais.
As projeções também apontam avanços importantes nos coprodutos do milho, como DDG/DDGS e óleo de milho, fortalecendo toda a cadeia da bioenergia.
Wellington também comentou sobre os impactos do E15 nos Estados Unidos e como esse movimento pode contribuir para reduzir pressões sobre os preços do etanol no Brasil.
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